Estava escuro. Ouviu-se uma porta rangendo, e depois se fechando com uma batida.
- Hm... hm... o-onde estou?
Uma névoa negra rodeava o lugar. Viu-se uma sombra andando. Uma risada fria.
As trevas se dissiparam.
- Olá, Dean.
- O quê? Onde estou? ME TIRE DAQUI!
Dean estava em uma sala. Era quadricular, e possuía apenas uma cadeira no centro, onde o Sword estava todo amarrado até o pescoço.
- Não se preocupe... Você irá sair, mas não do jeito que quer.
- O que você quer de mim, Darkan? – perguntou Dean. Shun Phariah Darkan estava em sua frente, com um sorriso amedrontador.
- Estou sabendo que você é o único que sabe a localização das pedras do selo...
- Talvez. – respondeu Dean, rapidamente.
- Interessante. Então, é o seguinte: Ou você me conta ou eu forço você a contar. Simples, não?
- Não. Mesmo que me torture, não irei ceder. Sou o único que sabe as localizações. Se me matar, você nunca saberá.
- Ora, ora... Você realmente não conhece os poderes que tenho.
- Eu não me importo com eles. Vá em frente, pode me torturar.
- Ah, eu vou torturá-lo... mas não do jeito que pensa.
- Sala bonita a sua. Este deve ser um lugar belo...
- Não mude de assunto, garoto. Me conte de uma vez, ou sofrerá conseqüências muito piores que a morte.
- Me torture. Eu aguento...
- Sim, você aguenta. Mas não adiantará em nada. Tudo bem, seu pedido será realizado. Que comece!
Darkan se sentou, fazendo movimentos circulares com a mão. Um círculo negro surgiu do chão por volta de Shun. Seus olhos ficaram negros, e gritou:
- DARK CONTROL! – Uma sombra, parecida com um fantasma, saiu de Darkan, entrando no corpo de Dean. O mesmo gritou e praguejou, caindo sobre o chão.
- O quê você fez... – ao dizer isso, mudou de personalidade. Seus olhos ficaram inteiramente negros, aonde saíam faíscas. Ele riu histericamente.
Era tarde. O tempo estava aberto, e o sol forte culminava.
Blake caminhava em direção contrária de uma floresta. Seus passos faziam barulhos na grama, até chegar em uma estrada. Seguiu pelo acostamento, até encontrar o portão de uma cidade.
Bem-Vindo à Rushell City, a capital do país de Parlov.
- Ouvi falar que essa cidade é muito boa... Acho que posso encontrar alguma resposta sobre Darkan aqui. – falava sozinho.
Adentrou na cidade. Possuía vinte Parloves no bolso, unidade monetária do país, um dinheiro que equivale à cinquenta dólares. Não era muito, mas possuía uma pequena riqueza guardada em sua casa em que ele e Dean treinavam.
Dean...
Continuava a caminhar pela cidade, observando os lugares. Ele usava uma jaqueta branca com um capuz, para que não reconhecessem que ele era um Sword – que possuíam a característica de cabelos levemente azulados e olhos castanhos – por causa da fama da família, e não queria chamar atenção. Sua espada estava embainhada na lateral de sua calça, e a proteção não deixava com que o plasma azul fosse mostrado.
A cidade era grande e bonita. Ao caminhar, percebia que a cidade não tinha casas. Apenas prédios, mansões e condomínios exaltantes, além das lojas e dos anúncios luminosos em todos os lugares.
Até que viu uma cena que achou demasiada estranha. Ele viu um grupo de cinco homens, encapuzados em uma jaqueta preta cada um. Percebera que eles possuíam olhos negros e tinham rostos pálidos. Blake pensou em atacá-los, mas mesmo que fossem homens de Darkan, ele estaria em desvantagem e provavelmente perderia a luta.
Após esse pensamento, os deixou passar. Blake continuou andando, até que escutou um grito. Ele olhou para trás. Os cinco homens começaram a atacar um casal no meio da rua, revelando espadas negras.
Blake correu contra o grupo, que fizeram um círculo em torno do homem e da mulher. O homem que estava no meio do círculo brandiu sua espada, que soltava um líquido verde. Um dos homens com vestes negras investiu contra seu alvo, mas ele defendeu e cortou o ombro daquele que atacou, saindo um líquido verde e apodrecendo o ombro dele. Apesar disso, o homem encapuzado não se intimidou e o grupo tornou a atacar o casal.
Blake, ao chegar, conseguiu fincar sua espada no peito deo homem encapuzado que tinha o ombro apodrecido. Ele, estranhamente, se desfez em sombras e desapareceu do lugar, sobrando apenas suas vestes negras. Blake atacou outros dois homens, enquanto o homem de espada verde atacava os dois restantes.
Um encapuzado atacou Blake, que se defendeu, contra-atacando. O Sword iria acertá-lo, se o outro encapuzado não tivesse desviado a lâmina. Os dois começaram a atacar simultaneamente, e Blake se concentrava apenas em não ser atingido, ficando apenas na defensiva.
- Quem é você? – perguntou o homem de espada verde para Blake, enquanto se defendia dos outros dois encapuzados.
- Blake.
- Blake o quê? Qual é seu sobrenome? – insistiu.
- Blake Sword. E qual é seu n... – não terminou a frase, pois teve que se defender de um ataque repentino do encapuzado.
- Meu nome? Steven Stewart.
Após dizer isso, ele se defendeu de um encapuzado e cortou sua garganta, de onde jorrou um sangue negro e desapareceu em cinzas negras também.
Blake também agora lutava apenas contra um encapuzado, o outro ele havia decepado a mão esquerda, onde se via uma carne negra, e que também desapareceu em cinzas.
- Mas que tipo de homens são esses? – perguntava Blake, não entendendo o fato deles sangrarem negro. – Você sabe?
- Eu não sei...
Um encapuzado atacou Steve, que se defendeu, contra-atacando na lateral. O outro defendeu, tentando fincar sua lâmina no coração de Steven, que desviou a espada para baixo e chutando o peito do encapuzado. O homem sombrio caiu para trás. Ele se levantou novamente. Então, murmurou um feitiço.
- Yīnyǐng zài huījìn – o encapuzado apontou sua mão para Steve, e soltou uma onda de anti-matéria. O feitiço que poderia ter destruído Stewart acabou sendo jogado contra o encapuzado que Blake lutava, pois o Sword pegou Steven e se jogou no chão, escapando do feitiço. O outro encapuzado também se desfez em sombras.
- Obrigado... – falou Steven.
Os dois se levantaram.
- Nǐ huì sǐ de! – praguejava o encapuzado.
- O que ele está falando? – perguntou Blake.
- Ele está falando em uma língua muito antiga já extinta... Chinês, se não me engano.
- O que ele está falando?
- Algo como vocês irão morr... CUIDADO! – o encapuzado quase dilacerou o peito de Blake, mas Stewart o empurrou, salvando o Sword. Steven pegou sua espada e cortou a cabeça do encapuzado, que também se desfez em sombras.
A namorada de Stewart, que estava escondida, reapareceu atrás de um carro, correndo para abraçar Steve. Blake então parou para notar a aparência dos dois. Steve possuía um cabelo levemente verde, assim como seus olhos. Sua camiseta era verde também, porém um pouco diferente. E Blake reconheceu na hora o que significava a veste.
- Você é um Soldado de Elite! – exclamou.
- Digamos que sim... – falou Steve. – Mas vamos conversar sobre isso em outro lugar, por favor. Ah, me deixe apresentar minha namorada... Blake, Mila Lindsay. Mila... Blake Sword.
Blake notou Mila, que estranhamente era muito parecida com Stewart. Também possuía cabelos longos verdes e olhos da mesma cor de seu cabelo. Usava roupas normais, uma camiseta verde, um jeans preto e um tênis normal.
- Ahn... oi. – falava Blake, um pouco envergonhado.
- Oi! Você é um dos soldados...
- Mila, vamos falar disso em outro lugar. – interrompeu Steve. - Blake, quer jantar em casa hoje conosco? Aí nós conversamos melhor.
- Eu queria... Mas estou procurando pistas do meu irmão, que foi capturado.
- Eu soube disso. Seu irmão é Dean, não é? Ele é um grande amigo meu... Mas não se preocupe. Vamos conversar, e quem sabe eu possa te ajudar.
- Tudo bem. – respondeu Blake.
- Obrigado por nos salvar! – agradeceu Mila. Blake retribuiu com um seco “Não há de quê”.
- Nos acompanhe, Blake. – falou Steve.
O casal começou a andar, e Blake os seguiu.
Lee estava na Central. Após a suposta morte de Jack, captura de Dean e desaparecimento de Blake ele convocara várias reuniões. Já haviam se passado uma semana desde a Primeira Guerra Shunlee, que acontecera em vinte e três de fevereiro. Os danos haviam sido grandes, porém o salão já havia sido reconstruído.
Lee convocou mais um conselho, e já estavam no salão.
- Declaro este Conselho aberto novamente. – Lee bateu com um martelo no balcão, anunciando mais uma reunião. Todos os shikös (menos Jack e Dean) estavam lá. – Por favor, me falem o relatório da semana.
- Senhor Lee, a cidade de Rushell têm sido constantemente atacada por um grupo de cinco encapuzados que dominam a sombra. Foi falado que eles batalharam contra um homem e um garoto e se desintegraram em sombras. – falou um dos shikös.
- O quê? Esses encapuzados... Falavam uma língua ancestral? – perguntou Lee.
- Pelo que falaram, sim. A língua parecia ser o chinês.
- A China é a ancestral de minhas terras... Quantos encapuzados eram?
- Cinco. – respondeu o shikö que deu a notícia.
- Lian Mào... Eles retornaram.
- Do quê você está falando, Lee? – perguntou outro shikö que estava na ponta da sala.
- Estes encapuzados são ancestrais... Imortais. Eles possuem sangue negro nas veias, além de toda sua carne ser feita de anti-matéria. Quando são “mortos”, eles se desintegram e ressurgem do último lugar em que foram aniquilados. Havia apenas um jeito de aniquilá-los para sempre...
- O que aconteceu, Lee? - perguntou o shikö da ponta.
- Sharian Sword os aniquilou permanentemente. Ele descobriu o jeito... Mas eles retornaram.
- Como?
- Shun Darkan. Tenho certeza que foi ele, agora provavelmente ele possui uma aliança com Lingdäo Zhü, o líder da Lian Mào. São os cinco encapuzados mais ele.
- Lee, tem mais uma coisa que preciso falar sobre isso.
- O que foi, Gane? – falou Lee para o shikö que deu a notícia. Ele era o shikö Psíquico.
- Um dos homens que batalharam contra os encapuzados foram reconhecidos como Steven Stewart... e o outro usava uma jaqueta branca com um capuz. Ele dominava o plasma azul. – anunciou Lucius Gane.
- Blake! – exclamou Lee para toda sala. – Então Stewart está com ele...
- Provavelmente. – falou Gane.
- Preciso falar com ele. Mais alguma notícia?
- Matthew Kyle e Lars Niall acordaram. – falou um outro shikö.
- Lars acordou... Alguém já falou para ele o que aconteceu com Jack? – perguntou Lee.
- Ninguém teve coragem até agora, acredito.
- Falarei com ele, então. Declaro o conselho de hoje encerrado.
Bateu seu martelo no balcão. Todos os shikös levantaram, saindo de suas respectivas cadeiras. Lee levantou e foi para a ala hospitalar.
Lee caminhou pela Central até chegar na ala hospitalar. Matt dormia, e Lars estava sentado na maca, olhando o chão.
- Olá, Lars.
- Oi. Porque você está aqui?
- Acredito que já está sabendo que aconteceu uma guerra aqui enquanto você estava inconsciente, certo?
- Óbvio. Lee, queria falar com meu pai.
- Uma situação complicada... Lars, teu pai lutou contra Shun Darkan. E...
- Não...
- Sim, Lars. Darkan o matou.
Lee se assustou ao ver a reação de Lars. Seu corpo começou a pegar fogo.
- Sinto muito. – falou Lee.
- Você... não o protegeu... – ele formou fogo em suas mãos. A cama começou a pegar fogo.
- Você está insinuando que a culpa é minha?
- SIM! – após gritar isso, jogou uma bola de fogo no rosto de Lee. O fogo não fez nada no rosto dele além de deixa uma expressão zangada nele.
- Lars, deixe de ser idiota.
- CALE A BOCA! MEU PAI ESTÁ MORTO POR SUA CULPA! – ao dizer isso, Lars levantou, empurrando Lee. Apontou sua mão, que estava em fogo, para Lee. – Você irá pag..
Foi interrompido ao sentir algo em seu pescoço. Matt havia acordado e colocado seu bastão no pescoço de Lars.
- Qualquer movimento e eu dilacero sua cabeça, esquentadinho.
- Não interrompa! – gritou Lars.
- Lars, pare com isso. Você sabe muito bem que Darkan é forte, quase invencível eu diria. Eu quase fui morto por ele. Nem eu, nem seu pai, nem nós dois juntos conseguimos derrotá-lo. Agora você pode se vingar, mas não em mim. Darkan matou seu pai. Você pode se vingar nos ajudando. – falou Lee, com uma expressão séria.
Lars finalmente criou juízo e abaixou sua mão. Matt, por sua vez, guardou seu bastão.
- Tudo bem. Eu ajudarei vocês, mas eu irei cortar a cabeça daquele desgraçado!
- Você não tem espada... – falou Matt, rindo.
- Ah, então... irei carbonizar o corpo dele!
- Precisamos encontrar Blake...
- Onde Blake está, Lee? – perguntou Matt.
- Ninguém te contou? Blake fugiu para encontrar o irmão dele.
O sorriso de Matt desapareceu do rosto.
- Bla-Blake... desapareceu? – perguntou Matt, gaguejando.
- Ele fugiu, mas já temos uma ideia de onde ele está. Eu vou mandar vocês em uma busca...
- Nem ferrando! – respondeu Lars. – Eu não vou resgatar aquele idiota nem que me paguem!
- Por favor, Lars. Deixe disso. Você, Matthew e Ayla irão buscar Blake e de bônus, Steven Stewart, um soldado de Elite. Vocês irão, após isso, para uma busca da segunda pedra do selo de Sharian Sword.
Capítulo 12- Retorno e Vingança.
- A comida está ótima! – exclamou Blake. Estava sentado em uma cadeira, Stewart e Mila estavam à sua frente. Era de noite, e Blake estava na casa de Steve, jantando.
- Obrigado, achei que você iria gostar de macarrão com queijo... – falou Mila, que havia preparado a comida.
- Eu nunca tinha experimentado, é ótimo!
- Acho que é o mínimo que podemos fazer por ter nos salvado... então Blake, você é de que esquadrão de Lee? – perguntou Steve.
- Não sou de nenhum esquadrão. Eu apenas fui chamado para buscar as pedras do selo de Sharian.
- Interessante...
- Amor, estou com sono... Vocês dois, fiquem conversando. Vou dormir. – Mila deu um beijo em Steve. – Até mais, Blake!
Ela saiu da cozinha, subindo as escadas e indo para o quarto.
- Casa bem espaçosa a sua... gostei bastante. – falou Blake, admirando o tamanho da casa.
- Digamos que ganho bastante dinheiro como soldado de Elite. Então guardei um dinheirinho e comprei uma mansãozinha longe do barulho da cidade grande para eu e Mila morarmos tranqüilos.
- Eu e o Dean moramos em uma casinha bem longe de todo mundo em um campinho... Morávamos.
- Bem, acho que você provavelmente quer saber minha história, não? – perguntou Stewart.
- ... sim, né?
- Assim como os seus pais, os meus também foram assassinados por Darkan. Eu tinha quinze anos, mas na época eu achava que era apenas um assassino qualquer.
- Por quê? – Blake perguntou.
- Meu pai era o Shikö do Poison na época. E era um dos mais poderosos, então provavelmente ele representava ameaça para Darkan, que na época nem tinha sido revelado.
- Porque você não está na Central? Há uma semana teve uma guerra lá!
- Estou totalmente ciente disso. Eu estava em férias, fiquei sabendo da guerra dois dias depois. Agora não posso fazer nada.
- Você seria de grande ajuda na guerra...
- Não pude ajudar na primeira, mas pode ter certeza que haverá uma segunda. Blake, você é um guerreiro extremamente habilidoso. Mas você ainda não está perfeito. Como seu irmão está capturado, eu te treinarei.
- O que me resta dizer é obrigado, mas eu preciso reencontrar meu irmão. – falou Blake, com uma expressão séria.
- Você desconhece os poderes de Darkan. Ele possui um exército de mil homens, isso eu posso te garantir. Você não vai conseguir tão fácil resgatar seu irmão.
- Como pode ter tanta certeza?
- Você é bom, mas não possui o poder de um exército. E você não está nem perto de descobrir a localização da base de Darkan.
- Eu... – antes de Blake terminar a frase, ouviu-se o som de uma campainha.
- Minha espada nova deve ter chegado! Espere um pouco, Blake.
Steve caminhou pela grande casa até chegar na porta. Abriu-a, mas não era um entregador que estava lá.
- Olá, senhor Stewart. – falou um garoto loiro com olhos azuis. Matt estava na frente de Steve, junto com Lars.
- Olá... quem é voc... – Steve foi interrompido por Blake, que correu para abraçar o amigo.
- Matt! – gritou Blake, abraçado a Matt.
- Você conhece esses dois, Blake? – perguntou Steve. Blake agora notou a presença de Lars ali, rindo.
- Vocês são... – Lars mal conseguia terminar a frase com seus risos. – ga...
Matt rapidamente deu um pequeno soco no estômago do zombador.
- Cale a boca. Não mudemos de assunto. Blake, Steve... Lee nos mandou aqui. Como Darkan capturou Dean e provavelmente já sabe as localizações das pedras do selo, nós quatro e uma garota chamada Ayla Melanie também iremos buscar a segunda pedra do selo.
Blake sentiu um arrepio no estômago, se lembrando do que aconteceu na última vez que buscaram as pedras do selo.
- Ayla? Ayla irá buscar as pedras também? Onde ela está
- Ela não quis vir aqui hoje. Ela falou que têm más lembranças de Rushell City. – explicou Lars, irritado. – Vamos logo. Estou de saco cheio daqui.
- Acalme-se, esquentadinho. – falou Steve para Lars. – Preciso de explicações. Primeiro, como descobriram que Blake estava aqui?
- Vocês batalharam contra os encapuzados no meio da rua. Não preciso falar mais nada, sim? – explicou Matt.
- Nós iremos, mas agora são onze horas. As forças de Darkan são mais freqüentes no escuro, não queremos ser mortos sem nem conseguirmos chegar a Lee, não? Venham, vamos dormir aqui.
- Não! – exclamou Lars. – Não vou dormir na casa de um idiota de cabelinho verde que acabei de conhecer!
- Lars, eu fiquei sabendo do que aconteceu. Você não é mais o filhinho de papai, pare de bancar o valentão. Meus pêsames, também experimentei a sensação de perder meus pais, mas isso não justifica ser um babaca com todos.
As mãos de Lars pegaram fogo.
- Não fale de meu pai, seu maldito! – ele apontou sua mão para Steve. – Você não possui honra alguma para falar dele!
Blake perdeu a calma com a atitude de Lars.
- Cale a boca, seu babaca. Seu pai morreu. Os meus pais foram assassinados à minha frente, e nem por isso eu me tornei um idiota. Agora você está encarando isso como se você merecesse tudo o que o mundo tem!
O fogo de Lars cessou.
- Não discutirei com vocês. Eu irei embora.
Lars começou a caminhar, mas Stewart falou:
- A escolha é sua, Niall. O escuro é muito perigoso, e você sozinho não daria certo.
- Não tenho medo do escuro. Muito obrigado. – falou, continuando a caminhar. Mas, algo como um rugido foi ouvido e Lars parou de andar. – O que foi isso?
- É o som que aqueles encapuzados fazem, Blake. Devemos entrar imediatamente, eles devem estar te perseguindo. – falou Steve. Rapidamente todos entraram na casa. O soldado de Elite caminhou até um interfone e o ligou. – Ativar proteção: Poison 326.
Na janela foi vista uma luz verde. Uma parede circular de gás verde foi formado em torno da casa.
Cinco encapuzados foram vistos. Tentaram entrar na casa, mas ao passarem pelo gás derreteram em um líquido verde e viraram pó negro.
- Vamos dormir. Lars, sinto muito pelo ocorrido. Amanhã iremos para a Central.
Apesar da cara de raiva, Lars concordou.
- Blake e Matt, vocês dormem na sala. Tem um colchão lá, e vocês decidem quem dorme no sofá ou no colchão. Lars dormirá em outro quarto, e eu vou conversar um pouco com ele. Depois irei dormir também. Deixem suas armas ali – ele apontou para uma mesa. – e, boa noite.
Ele e Lars subiram as escadas. Matt e Blake foram para a sala de estar. Havia um colchão no chão ali. Matt foi para o colchão e Blake foi dormir no sofá.
- Cara, eu estava com saudades! – falou Matt, alegre de ter reencontrado o amigo.
- Eu também! Então, novidades do meu irmão?
- Cara, eu sinto muito. Não encontramos nem vestígios dele ou de Darkan. Mas eu te garanto que vamos encontrá-lo.
- Tudo bem. Vamos dormir, temos muita coisa para fazer amanhã.
Matt concordou, e os dois fecharam os olhos na casa que já estava escura.
Estava escuro. Blake se via em uma sala sem iluminação alguma, até ver um vulto. Sentiu uma dor em seu estômago e acabou caindo para trás. Levantou.
- Quem é você?! – perguntava Blake. Dava espadadas às cegas, mas não acertava nada.
Sou seu pior pesadelo.
Blake sentiu uma dor estrondosa em sua lateral. Uma espada decepou seu braço e o Sword urrava em agonia.
Você sofrerá em minhas mãos.
Antes de Blake cair, sentiu um punho em seu rosto, e ele foi jogado para trás, desta fez contra uma parede.
Todos os seus amigos irão morrer, a sua única família dirá adeus ao mundo.
Blake sentiu uma espada transpassar em sua perna. Ele gritava e chorava. Viu uma imagem de seu irmão sorrindo para ele, e depois a imagem de sua única família se transformou em Darkan.
Você gostaria de vê-lo, Sword?
Se transformou novamente em Dean, que sorria. Ele caminhou até Blake.
Adeus, irmão.
Uma esfera negra foi atirada contra Blake, que sentiu seu corpo explodir em pedaços.
Blake! Blake!
Blake acordou com um pulo e caiu do sofá em que dormia.
- Bom dia, hehe... – viu Matt em pé. Blake levantou, um pouco envergonhado. – Daqui a pouco nós vamos para a Central. Você falou enquanto dormia... Teve um pesadelo?
- Sim, e dos piores. – falou Blake. – Depois eu te conto, quero tomar um belo café da manhã.
- Tudo bem, hehe...
Os dois caminharam até a cozinha, e viram Steve, Mila e Lars na mesa, comendo.
- Bom dia, Blake! – recebeu Steve. – Venha, tome um café! Daqui a minutinhos vamos para a Central.
- Bom dia, Steve. – falou Blake, ainda assustado com o pesadelo. Sentou na mesa, assim como Matt.
Tomaram o café da manhã, que para Blake foi um dos melhores que já tivera. Estava lembrando... quando... tinha uma família. Finalizou seu alimento, e levantou da cadeira.
- Estava uma delícia! Muito obrigado.
Saiu da cozinha, e se sentou no sofá na sala de estar, e começou a pensar sobre o sonho que tivera. Espere, teve inúmeros pesadelos nos últimos dias... o que isso significava?
- Blake, vamos! – chamou Steve. – Nós vamos para a Central agora.
Blake correu para a cozinha, onde todos já tinham levantado.
- Nós vamos em qual veículo? – perguntou Matt.
- Não contem para ninguém, mas tenho um jatinho particular aqui, haha... – falou Steven, alegre. – Vamos, temos que chegar rápido. Mila ficará aqui.
Todos assentiram.
- Até mais, amor! – falou Mila, dando um beijo em seu namorado. – Volte logo, ok?
- O.k. – concordou Steve. Os quatro caminharam até uma porta que Steve abriu, revelando uma grande garagem. Um jatinho estava ali. – Legal, não é?
- Uou! – falava Matt, maravilhado com a beleza do jato. Os quatro entraram dentro dele, e Steve o dirigiu. Uma comporta se abriu no teto, e subiram para os céus.
“Toc-Toc”
- Quem é? – perguntou Ayla. Estava em seu quarto na Central.
- Lee. Deixe-me entrar, Ayla, por favor. – falou Lee, na parte de fora do quarto, aguardando a garota.
Ela destrancou a porta, e o idoso homem entrou.
- Trouxe café da manhã. – falou, com uma bandeja em mãos.
- Obrigada. – Ayla recebeu a bandeja, e sentou em sua cama para comer. Havia um pão com mortadela (comida favorita de Ayla) e um copo de suco de laranja.
- Por quê você não quis ir para Rushell City com os garotos? – perguntou Lee.
- Lembranças ruins.
- Sim. Entendo. Falando nisso, eu posso te ajudar a vingar o assassinato da sua mãe, querida. – Lee, apesar de na maioria do tempo sendo zangado e “mandão” com todos, era carinhoso com Ayla.
- O quê?!
- Exato. Descobrimos a identidade do assassino da sua mãe. E foi ele quem confrontou Blake e o deixou naquele estado na guerra. E também foi o homem que você viu com Darkan capturando Dean.
- Como você sabe disso?!
- Meus homens me relataram tudo. O nome do homem é Ryan Clyyn. Foi condenado à pena de morte uma vez, mas estranhamente conseguiu enganar os executores e escapou.
- Muito obrigada, Lee! – Ayla ficou mais animada. Sonhava com a vingança do assassino da mãe fazia tempos.
- Mas eu já vou falando, você precisará de ajuda. Ryan é muito poderoso, apesar de não pensar em suas técnicas e estratégias. Sinceramente, não sei como Blake aguentou tanto com ele. Na missão que vocês serão enviados, é provável que o encontrem. Caso tenha a chance, você possuirá a permissão do Mestre dos Shikös de matá-lo.
- Obrigada, Lee. – agradeceu a garota.
A porta se abriu novamente.
- Senhor. – falou um soldado. – Matthew e Lars chegaram, e trouxeram Steven Stewart e Blake Sword consigo.
- Amém! – ele olhou para Ayla. – Venha comigo, por favor.
Ayla, que já tinha terminado seu café da manhã, levantou da cama e andou junto com Lee para o encontro dos garotos.
Os quatro desceram do jato particular de Steve. Lee e Ayla já esperavam o grupo na sala de aviação. Stewart desceu primeiro, fazendo um cumprimento saudoso à Lee.
- Bom dia, senhor. – disse Steven.
- Pode me chamar de Lee, Stewart. Bom te reencontrar.
Matt e Lars andaram logo em seguida, com Blake atrás. O Sword ainda pensava no sonho que tivera. Teria que contar para Lee.
Os três cumprimentaram Lee. Lars deu um seco “Oi” para Ayla, que nem se importou em retribuir. Já conhecia Lars fazia tempo e definitivamente não gostava das atitudes dele.
- Olá, Blake! – exclamou Lee, antes que Blake pudesse falar alguma coisa, Lee o interrompeu. – Preciso falar com você. Por favor, venham comigo. Lucius – o Shikö Psíquico estava no salão, saudando o grupo. – Por favor, os leve até a sala de reuniões. Eu e Blake já iremos lá para eu dar os detalhes da missão. Venha, garoto.
Lee começou a andar, e Blake o seguiu. Caminharam por vários minutos pela Central, até chegar no antigo quarto em que o garoto estava hospedado. O Mestre dos Shikös fechou a porta, e começou a falar.
- Blake, Blake... Em que você estava pensando quando fugiu da Central?!
Ele não respondeu.
- Você poderia ter sido morto! E realmente, você quase foi. Recebeu uma visita dos encapuzados recentemente, Blake?
O coração do garoto disparou. Lembrou das criaturas horríveis que batalhara com Steve em Rushell City.
- Co-como você sabe?
- Francamente, aquela cidade possui moradores! Não achou que alguém poderia ver você e Steve contra cinco homens encapuzados, famosos por matarem vários homens através do mundo? – viu que Blake hesitava. – Vamos, me responda!
Blake perdeu a calma. Estava muito irritado com o desaparecimento do irmão, e ainda tinha que aguentar broncas?
- CALE A BOCA! – gritou. Lee se assustou com a reação. – Eu acabei de perder meu irmão, você não parou para pensar nisso? Você acha que eu iria reagir perfeitamente com a perda da família que me restava? Não, a melhor pergunta a fazer é: Você acha que eu ficaria parado e simplesmente deixar meu irmão morrer?
Lee repensou no que falou.
- Me desculpe. Acho que você deveria ter pensado melhor, nossa equipe é uma vantagem para recuperar seu irmão. Afinal, ele era meu braço-direito.
- Tudo bem. Preciso te dizer mais uma coisa: Estou tendo seguidamente sonhos com Darkan. Eu sempre vejo meu irmão, geralmente morrendo, neles. No final, Darkan sempre me mata. O que isto significa, Lee?
- Não, Darkan... é uma técnica antiga, Blake. A pessoa que conjura tal feitiço começa a meditar e se concentrar na pessoa que mais odeia no mundo, e a faz ter pesadelos controlados pelo conjurador caso ela esteja dormindo.
- Obrigado por esclarecer. Vamos para a sala de reunião, Lee. – falou Blake. Ambos se levantaram, e caminharam para a sala de reuniões.
Blake e Lee continuaram caminhando para o salão. Depois de alguns minutos, finalmente chegaram à sala de reuniões. Steven, Ayla, Matt e Lars estavam ali, esperando sentados pelos dois.
- Olá a todos. – falou o Shikö da luz. - A missão será complicada, pois será complicado achar uma pedra do selo no lugar, além de enfrentar vários obstáculos antes disso.
- Por favor, Lee, sem delongas. – falou Lars, impaciente.
- Se acalme, Lars. – falou Blake.
- Cale a...
- Lars, pare. – falou Lee. – Deixe-me explicar.
- Tudo bem.
- Esperem um pouco.
Lee caminhou até um armário e arrancou uma folha que parecia já ser velha. Ele a mostrou.
- Essa é uma página que Sharian deixou como herança de sua família contando a história do império itoliano, o lugar onde vocês procurarão a pedra do selo.
Lee começou a ler a página.
- Na época em que eu distribuía as pedras do selo pelo mundo, eu confiei em um império, liderados pelo imperador Arturo Itoll. O nome deste império era o sobrenome de Arturo, tendo o nome pela história de seu ancestral, Salim Itoll. Entreguei a pedra do selo para Arturo para que protegesse e usasse a seu modo, visto que a pedra possuía alto nível de poder. Itoll era justo, e usou a pedra do selo colocando-a em seu cajado, assim dominando o Plasma azul. Ele protegeu suas terras de qualquer ataque. Porém, ele já era idoso na época, adoeceu e faleceu. Seus servos construíram uma estátua em sua homenagem, e como não sabiam manejar o poder da pedra, colocaram o cajado na estátua e construíram proteções para a estátua. Um reino inimigo atacou, houve uma guerra e nenhum soldado saiu vivo dali. Todavia, a estátua continuou protegida, e o antigo império se tornou ruínas de um templo, ainda com o artefato mágico dentro. Caso um dia precisem buscá-la, aqui deixo o manual de armadilhas do templo.
Blake percebeu que a página estava rasgada embaixo.
- Este folheto já é muito antigo, e se rasgou com o tempo. Vocês deverão ir por suas contas escapar das armadilhas. Deixem-me explicar as localizações.
Lee pegou um mapa e o abriu, mostrando os quatro continentes: Parlov - que possuía um país de mesmo nome e onde a Central de Shikös estava -, Tennal, que se localizava ao lado de Parlov, Urnien, localizado ao outro lado do mundo. E, por último, Karlin, o menor deles localizado ao sul de Urnien.
- As Ruínas de Itoll estão localizadas em Tennal, aqui ao norte de Parlov. – apontou para o continente – Aqui está de presente para vocês um radar. Eu já me dei o trabalho de modificar as configurações para que rastreie as ruínas de Itoll. Minhas explicações acabam aqui. Perguntas?
- O que faremos se encontrarmos soldados lá? – perguntou Steve. – Eu estou desconhecido das forças de Darkan.
- Caso os encontrem, muito provavelmente verão Ryan Clyyn. Steve batalhará contra ele com ajuda de Ayla, enquanto Matt, Blake e Lars batalharão com soldados. Muito cuidado com as armadilhas, pois a maioria é fatal. Vocês enfrentarão enigmas, esqueletos e muitas coisas a mais, se preparem. Mais alguma coisa?
Ninguém falou nada.
- Ótimo. Preparem suas mentes e seus esforços, pois a viagem será longa e a missão será complicada. Darei uma hora de descanso para arrumarem o que quiserem e treinarem. Chamarei quando for a hora. Dispensados.
Todos saíram dali, porém Ayla ficou ali para conversar com Lee.
- Agradeço novamente a oportunidade, Lee. Obrigada por me ajudar com a vingança.
- De nada. Acho que você merece.
- Bem, até mais. Nos deseje sorte!
- Já desejei, e sei que irão conseguir. Vá treinar um pouco.
- O.k. Até mais.
Ela deu um leve beijo no rosto de Lee, e correu para onde os outros foram.
- Não consigo acreditar que eu contei isso a ela. Bem, justiça seja feita.
Os cinco estavam treinando na sala de treinamento, a mesma da primeira missão de Blake.
Steve convidou Blake para um pequeno duelo de espadas para treinar seus reflexos. Matt ficou treinando sua mira atirando em alvos na parede, e Lars fez a mesma coisa com seus poderes de fogo. Ayla apenas permaneceu sentada em um banco.
- Gosto do jeito que você duela, Blake... – falava Steve, enquanto defendia os golpes da lâmina de seu adversário.
- Obrigado. Aprendi com meu pai e com meu irmão, os melhores espadachins que já vi.
- ... Mas você não está perfeito.
Steve rapidamente, em um golpe certeiro, desarmou Blake, que derrubou sua espada.
- Você precisa aprender a evitar desarm... – ele não terminou a frase, pois Blake rapidamente recuperou sua espada e quase acertou um golpe em Steve, mas parou e deixou apenas sua espada apontada no coração de seu adversário.
- E você precisa aprender a não se distrair. – puxou sua espada de volta, e deu dois passos para trás.
- Muito bom, muito bom... É, se eu fosse um servo de Darkan já estaria morto, mas acho que ele não hesitaria te matar que nem eu fiz. Acho melhor você treinar desarmamento antes, e depois eu aprendo a não me distrair, haha...
Recomeçaram o amigável duelo, com Blake na ofensiva primeiramente. Ele tentava fazer Steve derrubar sua espada, sem sucesso, até que seu mentor conseguiu desviar sua lâmina para o lado e atingiria a lateral de Blake se não estivessem apenas treinando.
- Caso queira fazer um soldado soltar sua espada em um minuto, atinja a mão que está segurando a espada. Após isso, é só terminar o serviço. Entendeu?
- Sim.
Eles continuaram a duelar. Se passaram algumas dezenas de minutos, e Lee os chamou para a sala de reuniões.
Caminharam até a sala. Lee havia preparado algumas reservas de alimentos, roupas e até barracas para caso precisassem acampar.
- Bem, vocês já sabem. Irão com o avião do Steve, ele usará o radar. Será uma viagem longa, provavelmente irá durar umas cinco horas até chegar lá. Dentro do templo, tomem cuidado com qualquer movimento repentino. Ouçam atentamente a cada passo que derem e prestem atenção em quaisquer buracos no chão, por mais pequeno que sejam. Confio em vocês.
- Não se preocupe. Não te decepcionarei, Lee. – falou Stewart, confiante.
- Desejam ir neste momento? Quanto antes melhor, mas vocês decidem.
- Sim. – falou Blake e Steve ao mesmo tempo.
- Não! – gritou Lars.
- Espere. Vamos discutir. – falou novamente Steve.
O grupo começou a discutir as possibilidades e decidiram que seria melhor ir naquele momento, apesar das reclamações de Lars.
- Nós vamos agora, Lee.
- Ótimo. – respondeu o Shikö. – Então, desejo boa sorte a vocês! Por tudo nesse mundo, não sejam derrotados.
Eles caminharam até a sala de aviões, Steve abriu a comporta de seu jato e entrou na cabine de piloto, não sem antes se despedir de Lee.
Blake, Matt e Lars também se despediram e entraram no avião, deixando Ayla e Lee a sós.
- Bem, é isso. Muito obrigada por tudo Lee, até mais!
Ela deu um abraço afetivo em seu pai adotivo.
- Até mais, minha pequena.
Ela foi até o jato, e Steve finalmente decolou.
- Ayla...
•••
A viagem foi tranquila e não tão longa. Blake admirava em sua cabine de co-piloto a janela do avião, a paisagem do mar e da terra, achava que era uma cena realmente bonita de se ver. Pensava na primeira vez em que viajara de avião, com sua família. Sentia falta de uma família.
O jato possuía quatro assentos sem contar com o do piloto e co-piloto, cada um separado. Lars sentou-se atrás de Ayla, enquanto Matt estava do outro lado.
- Ayla, me deixe perguntar uma coisa... – falou Lars, conversando com Ayla. – Porque você gosta tanto daquele idiota do Lee?
- Você nunca olhou para si mesmo ao chamar alguém de idiota?
- Sério. Aquele Lee é um velho biruta, porque você gosta tanto dele?
- Não fale o que você não sabe, Lars. Estou avisando.
- Ah, vê se me respeita. Ele só liga para o próprio umbigo. – Matt assistia a discussão, e estava se divertindo com aquilo.
- Ele é um homem muito melhor do que você acha, Lars. Pare de ofender ele, estou falando sério.
- Ele deixou meu pai morrer, onde há bondade nisso? Deixe de ser ingênua, garota burra!
- CALE A BOCA! – Ayla, em um gesto de fúria, fez uma parede de vento que pressionou Lars contra o assento duro em que estava sentado, que gritou de dor. – Nunca mais fale desse jeito!
- Sua idiota! – falou Lars, já preparando seu punho de fogo.
- PAREM! – gritou Blake, ainda na cabine de co-piloto. – Somos uma equipe, não vamos nos matar antes mesmo de chegar no objetivo!
- Fique quieto, cabelinho de emo!
Blake se segurou para não sacar sua espada e atirar um projétil de plasma nele.
- Deixe de ser criança. Fique quieto aí no seu canto que você ganha mais.
- E quem você acha que é para falar assim comigo?
- Descendente de Sharian Sword.
Lars parou para pensar em alguma resposta à altura do argumento de Blake, mas não disse nada.
- Melhor assim.
- Chegamos! – falou Steve, já pousando o avião. As ruínas de Itoll se localizavam em uma planície longa, parecendo ser a única construção ali por perto. Desceram do avião, e se assustaram.
Haviam vários aviões, alguns explodidos, todos parecendo ser velhos e com teias de aranha.
- É, pelo jeito muitos tentaram passar por aqui... – falou Steve, não se importando muito com a cena diante de seus olhos.
Olharam para o templo. Era uma construção deveras grande, feita inteiramente de pedra e com várias torres. Havia uma grande torre principal, no meio de quatro torres pequenas distribuídas em forma de quadrado.
- Vamos entrar.
Capítulo 14- Em ruínas.
Sobreviver, esta é a mágica.
- Vamos entrar.Eles abriram a frágil porta de madeira, e de repente dezenas de flechas foram atiradas contra eles.
- Plasma Shield!
Blake formou um escudo de plasma, protegendo todos das flechas que se dissolveram ao chegar à proteção.
- Obrigado, Blake. É, eles foram bem inteligentes com as armadilhas. – falou Steve. – Vamos, tenham muito cuidado com o piso, esse lugar é bem perigoso.
Eles caminharam no que parecia ser um corredor. Não foram pegos por nenhuma armadilha, porém ao chegar no fim do corredor já ficaram em um impasse, pois tinha dois caminhos disponíveis. Havia uma placa de madeira na parede, indicando um enigma.
- O que é isso? – perguntou Matt.
- Um enigma, já na primeira parte... – respondeu Blake, analisando a placa de madeira.
- O que o enigma diz? – perguntou Lars.
Blake começou a ler.
Uma decisão vocês precisam realizar
Para a morte ou o prêmio abraçar
Em um lado chamas você encontrará
Enquanto no outro, o caminho continuará
Para prosseguir, responda a questão:
Você cairá na ilusão?
Eles olharam para os lados em que os corredores seguiam. Em um lado, estava uma mancha de sangue enorme um túnel que parecia ser muito mais obscuro. O outro parecia ser um palácio imperial com paredes de outro.
- Que porcaria é essa? – perguntou Lars, sem entender nada. – “Ilusão” Ah, me respeita. Vamos por ali. – ele apontou para a parte dourada.
Blake olhou novamente para os lados.
- Devo concordar com o Lars, aquele caminho parece ser muito mais seguro... - falou Matt.
- Não, eu entendi o objetivo. Naturalmente, nosso impulso é escolher o corredor dourado, muito mais bonito que uma mancha de sangue na parede, porém é este o objetivo do enigma. - respondeu Blake.
- Você pensa muito.
- Blake tem razão. – falou Steve. – O enigma fala de ilusões. O impulso é ir na parte mais bonita, mas aquilo pode ser pura ilusão e na verdade o caminho sombrio pode ser o seguro.
- Esses caras nem pensavam direito, eram um bando de primatas! – ele gritou. – Está óbvio...
Steve ignorou, e começou a caminhar pelo lado mais escuro. Matt os seguiu também. Ayla hesitou por um tempo, mas começou a caminhar com eles também.
- Idiotas...
Lars começou a caminhar para o outro lado, o imperial.
O grupo, que caminhava pelo assustador corredor escuro, começou a ouvir gritos do garoto rebelde.
- Gente, dêem uma ajudinha, por favor! – gritou.
- Fiquem aí, eu já volto. – falou Steve, correndo para o outro lado para socorrer Lars.
Ao chegar no outro corredor, ele viu lança-chamas tentarem queimar Lars, que continha o fogo com seus poderes.
- Me ajude a sair daqui! – gritou.
Steve o agarrou e deu um jeito de puxá-lo para trás, conseguindo retornar para a parte segura, olhando a parede de fogo que se formava do lado deles.
- Parabéns. – falou.
- Cale a boca.
O mentor riu. A dupla caminhou até encontrar o grupo, que estava parado no corredor escuro.
- Vamos continuar, não gosto daqui. – falou Steve.
Eles continuaram a caminhar. Enquanto isso, Ryan estava escondido em outra sala, assistindo toda a cena olhando por um buraco na parede. Um grupo de cerca de quinze pessoas estava com ele.
- Vamos indo. – falou Ryan. – Deixemos que eles façam o trabalho sujo por nós, e quando chegarmos ao objetivo, os matamos e ficamos com a pedra do selo.
Ele guiou seu grupo para a direção onde seus inimigos haviam ido.
O grupo continuou caminhando até acharem mais uma porta. A abriram, desta vez sem armadilhas. Eles caminharam, finalmente saindo do corredor escuro. Agora estavam em uma sala circular feita inteiramente de pedra com tochas iluminando o local.
Eles viram vários esqueletos com lanças e escudos no chão.
- Aqui tem alguma coisa para esse tanto de cadáveres no chão... – falou Matt.
- Fiquem atentos.
Eles caminharam pelo salão, e percebeu que não havia saída.
- Que ótimo... Um beco sem saída... – falou Ayla, desinteressada.
De repente, Blake pisa em um quadrado no chão. Linhas azuis aparecem no piso, cada uma sendo levada até um esqueleto.
Quando se viram, já havia cerca de trinta esqueletos em pé, prontos para atacar.
- Não sei o que isso significa, mas ataquem! – comandou Steve, e o grupo se preparou para destruir os esqueletos, que possuíam uma lança dourada e arco com flechas de madeira.
Os esqueletos tentaram atirar flechas contra seus oponentes, mas Blake formou um escudo em torno do grupo que os protegeu. O desfez, e cada um foi atacar um grupo das sombrias criaturas.
Blake tentou atacar um esqueleto, acertando seu braço um osso da costela. Porém, nada aconteceu, e a criatura tentou apunhalá-lo com sua lança. Ele rapidamente tirou sua espada das costelas do esqueleto, pulando para trás e escapando do golpe.
- Como nós os matamos? – perguntou Blake, gritando.
- Não sei, vamos tentar explodir o corpo deles! – respondeu Steve.
Blake e Matt obedeceram, e tentaram jogar projéteis de plasma em seus inimigos, mas os esqueletos eram ágeis e conseguia desviar dos ataques fatais.
- Mas que droga de tecnologia é essa? – perguntou Matt, irritado.
Ayla também tentava apunhalar os esqueletos com sua espada, mas nada acontecia. Ela começou a jogar paredes de vento para empurrar e pressionar eles contra uma parede, mas não dava certo, eles nem sequer se mexiam com cada tentativa.
- Molder! – gritou Steve, tentando jogar uma bola corrosiva de ácido em um esqueleto, e conseguiu acertar. Os ossos dele foram corroídos até derreter e sobrar apenas uma poça de ácido no chão. – Ácido funciona contra eles!
- Que bom, então mate eles! – gritou Lars, tentando queimar eles, em vão.
- Subam em alguma pedra, alguma coisa assim! Um lugar que seja alto!
Eles subiram em pedras grandes e estavam espalhadas pela sala, enquanto os esqueletos tentavam atacá-los com suas lanças e flechas.
- Acid Lake! – Steve fincou sua espada no chão, de onde começou a jorrar ácido. Um lago tóxico verde começou a ser formado, e alguns esqueletos foram atingidos, sendo corroídos até não sobrar nada. As pedras também começaram a ser corroídas, e Steve cessou o ataque, e o lago tóxico de ácido se desfez em pó. O chão estava derretido em parte, sem ácido.
Cerca de dez esqueletos sobraram na arena. Ele retirou sua espada do chão, e gritou:
- Se protejam! Deixem comigo!
Blake e Matt formaram escudos em cada um do grupo, menos Steve, que retornou a atacar os esqueletos. Cada golpe que ele acertava na cabeça dos esqueletos, seu crânio derretia enquanto o restante de seus ossos caía no chão, sem vida.
Não demorou muito para ele terminar o trabalho, aniquilando-os. Quando o último esqueleto foi morto, luzes azuis retornaram a surgir no chão, indo em direção a uma parede e a desfazendo, revelando mais um corredor.
- Vamos! – falou Steve. O grupo caminhou pelo corredor até chegar em uma porta de madeira.
Enquanto isso, Ryan os assistia, rindo.
- Obrigado por fazerem o trabalho, idiotas... – falava, escondido com seu grupo. Ele continuou caminhando pela sala que antes tinha esqueletos, e os observou entrarem na porta de madeira.
A equipe chegou em uma nova sala. Ela tinha dezesseis pedras brilhantes espalhadas em forma de quadrado. Um pilar estava em frente a eles, com mais uma placa de madeira com escritos negros, revelando mais um enigma.
- Mais um desses... – falou Blake, cansado.
Steve o pegou e leu.
Em uma das pedras a chave para continuar está
Mas nas outras a morte você encontrará
Acerte a pedra de primeira
Ou morrerá nas chamas da fogueira
Para achar a resposta do enigma
Destrua aquela que é o paradigma.
- O que é paradigma? – perguntou Matt.
- Um modelo a ser seguido, algo assim. Temos de achar a pedra que é o modelo das outras, a original. - respondeu Steve.
- Que templo mais chato... – respondeu Lars.
- Vamos ir vasculhando.
Os cinco foram olhando pedra por pedra para achar alguma pista. Algumas tinham rachaduras e expeliam Plasma azul, outras tinham apenas uma pequena lâmpada para passar a ilusão de ser iluminada, mas não achavam nenhuma que fosse um diamante puro.
- Mas que droga de enigma é esse? O que temos que procurar? – perguntou Lars, já irritado com aquilo.
Blake viu uma pedra normal, sem iluminação alguma, no centro do quadrado.
- Já entendi o enigma. As outras são pedras, porém com uma iluminação falsa. Essa aqui é o modelo, a pedra original, sem iluminação ou algo assim.
- Blake, tem plena certeza disso? Podemos morrer aqui.
- Vocês acharam um diamante azul puro?
- Não.
- Então essa é a resposta.
Blake, em um gesto arriscado, golpeou sua espada na pequena pedra, destruindo-a. Uma luz azul saiu dela, e a parede se abriu, revelando mais uma sala.
- De nada. – falou.
- Convencido... – retrucou Lars.
O grupo caminhou até a próxima sala, e finalmente viram a estátua - que media três metros de altura - de Arturo Itoll.
- Vamos pegar essa pedra e ir embora logo! – falou Lars.
- ... Ou não. – surgiu uma voz atrás deles.
O grupo se assustou, e avistaram Ryan e seu grupo.
- Nos reencontramos! Olá, Blake Sword!
Ayla reconheceu seu rosto, e percebeu que era o assassino de sua mãe.
- Você! – gritou Ayla, encarando Ryan. – Eu vou te matar!
Ryan reconheceu a garota, lembrando de seu antigo assassinato.
- A filha de Rosie Melanie! É claro... Você cresceu bastante, vejo que sua mãe fez algo útil e colocou uma garota muito bonita no mundo... Mas ela era muito estúpida, tentou achar pistas de Darkan, e o fim dela foi merecido.
- NÃO OUSE FALAR DELA! – Ayla estendeu suas mãos e jogou paredes de vento em Ryan, que se tele transportou e reapareceu atrás dela, tentando golpeá-la. Porém Steve apareceu na frente dele e defendeu o ataque que atingiria Ayla em cheio.
- Eu sou seu adversário, Ryan.
- Tudo bem. – respondeu. – Ataquem!
O grupo de Ryan atacou, e iniciaram uma batalha no salão.
Blake e Matt batalhavam em dupla, enquanto Ayla dava cobertura, evitando que fossem pegos de surpresa. Lars tentava queimar todos, geralmente sem sucesso.
As espadas de Ryan e Steve se separaram, e os dois soldados se encararam.
- Ouvi falar bastante de você, Ryan Clyyn. Um assassino habilidoso, devo dizer.
- Obrigado. Mas e nem te conheço, não posso falar nada, apenas dizer que você é muito feio.
- Ridículo. Vamos, me ataque.
Ryan começou atacando, e Steve facilmente se defendeu, tentando realizar dois cortes transversais com sua lâmina, todos os golpes desviados. O general de Darkan tentou desviar para o lado e realizar um corte lateral, porém foi interrompido com um chute em sua costela, caindo mais para o lado.
- Plasma Ball! – Ryan atirou uma esfera de Plasma vermelha, porém Steve conseguiu desviar e soltou um projétil de ácido em Ryan, que conseguiu fazer um escudo antes de ser atingido.
- Você é bastante ágil, devo admitir. – falou Steve.
Steve tentou atacar, mas teve sua lâmina desviada. Ryan tentou fazer dois cortes, mas Stewart recuou, escapando dos ataques. O general atacou novamente, mas o soldado de elite desviou e conseguiu golpear a mão que Ryan segurava a sua espada, fazendo-a cair.
- Argh! Seu filho de uma-
Steve fez um corte no ombro de Ryan, que caiu.
- Ayla, venha finalizar!
Ayla matou o soldado que batalhava, e caminhou até Steve, que olhava para Ryan.
- Por favor, não! – choramingava o homem.
- Justiça seja feita. – Ayla estava prestes a matá-lo, porém um estrondo foi ouvido. A estátua de Arturo de repente ganhou vida.
- Vocês invadiram meu palácio! – um megafone estava localizado na boca da estátua, que começava a andar. – Vocês devem morrer!
Ele apontou seu cajado para Blake e atirou uma esfera de Plasma azul, mas ele desviou do ataque. A esfera atingiu um soldado de Ryan, e foi suficiente para causar uma explosão que carbonizou o corpo de três soldados que estavam perto, matando a todos.
- Droga! – gritou Steve.
A estátua avançou contra Steve e Ayla, tentando os acertar com seu cajado. Eles desviaram, e a estátua pisoteou a perna de Ryan, que gritou.
- ARGH!
Itoll olhou para ele, e apontou seu cajado. Atrás dele, um soldado de Ryan atirou um projétil na cabeça da estátua, que olhou para trás. Lançou uma rajada de plasma que fez explodir cinco soldados em pedaços.
- Morram! – gritava a estátua, saindo de perto de Ryan e atirando projéteis em todos os lugares.
- Vou tentar acertar a pedra do selo! – gritou Blake, atirando um projétil no cajado da estátua, conseguindo acertar a pedra e fazendo-a soltar da ponta do bastão. A estátua, de repente, desmoronou sobrando apenas pedras. Matt pegou a pedra que caiu no chão.
- Vencemos! – gritou Matt. Ryan ainda jazia no chão, esperneando e praguejando.
De repente, o chão começou a tremer. Partes do teto começaram a cair.
- Essa coisa vai cair! – gritou Lars. – Vamos sair daqui!
- Não há tempo! Blake, Matt, formem um escudo!
Não houve tempo.
As paredes e o teto se racharam, e tudo começou a desabar. Tudo caiu, até sobrar apenas um amontoado de pedras.
Capítulo 15- Interrogatório.
- Senhor, o general Ryan Clyyn mandou um pedido de ajuda, o que devemos fazer?
- Busquem-no e tragam a pedra. E façam isso rápido.
- Mas...
- Vá!
O homem fez um sinal afirmativo com a cabeça, se reverenciou para seu mestre e saiu da sala.
Lee conversava com Lucius, o Shikö psíquico. Ele possuía longos cabelos brancos e vestia a camiseta dos Shikös em cor branca. Em sua calça havia um cinturão em que ele guardava sua bola de cristal vermelha, que usava para controlar seus poderes psíquicos melhor.
- Steven mandou alguma mensagem, Lee? – perguntou Lucius.
- Não. Eles ainda não devem ter chegado.
- Fazem mais de quinze horas que eles partiram. Não é possível que ainda não tenham pousado...
- Você sabe que eles foram para Tennal, um local bem afastado. Não se preocupe.
- Suas instruções não eram que Steve mandasse uma mensagem quando eles encontrassem a pedra? Eles não iam demorar tanto assim. Recomendo mandar um grupo para buscá-los.
- Você se preocupa demais, Gane.
- Estamos lidando com Darkan, Lee. Toda preocupação é pouca, você sabe disso.
- Tudo bem então, tente se comunicar com Stev...
Antes de terminar a frase, os dois foram interrompidos por um mensageiro que abriu a porta repentinamente. Ele bufava de cansaço, indicando que correra muito para chegar até a sala.
- Senhor! O soldado Stewart mandou um pedido de socorro, e precisa de ajuda rapidamente! Pelo jeito eles caíram em uma armadilha e todo o templo desmoronou.
Lucius sorriu em tom de zombação para Lee.
- Calado. – falou Lee olhando para seu conselheiro, e depois se virou para o mensageiro. – Mande um avião de busca. Rápido. Use qualquer esquadrão, e dê esse mapa para eles – andou até um armário, pegando um mapa e dando ao homem. – A localização está marcada aqui. Vá.
O homem fez uma referência e saiu da sala.
- O que eu disse? – falou Gane sarcasticamente.
- Já falei para ficar calado.
Enquanto isso, nos escombros do que antes era um templo, Steve desligava seu comunicador, agradecendo pela mensagem ter sido enviada. Olhava em sua volta, chegava a ficar triste de um monumento tão bonito ter caído desse jeito. Queria de todo jeito tentar socorrer seus amigos, mas não conseguia se mexer, com uma sensação de que algum osso seu havia quebrado.
Blake e Matt haviam conseguido fazer um escudo que os havia protegido, mesmo que brevemente, das inúmeras pedras que caíam do céu, mas alguns segundos depois, o escudo se quebrou. A queda das pedras foi menor, mas do mesmo jeito foi significativa. Steve, obviamente, havia sobrevivido, mas queria saber do resto. Sentia que já haviam se passado uma hora desde a derrubada do castelo, desejando com todas as forças que o grupo não tivesse sido sufocado até a morte.
Ficou lá, deitado, durante muito tempo até a ajuda chegar. Sua mente havia sido treinada para não se abalar diante de situações como esta, mas do mesmo jeito, estava preocupado.
Após algum tempo, ouviu um grito rouco e uma mão surgir das pedras, e viu Blake repentinamente se levantar dos escombros. Seu rosto estava machucado, com alguns cortes nas bochechas, na testa e na boca. Sua característica camiseta branca estava inteiramente rasgada, sobrando apenas metade dela. Logo após de sair de baixo das pedras, acabou caindo novamente de dor na coluna, desta vez em cima das rochas.
- Blake! – a garganta de Steve doeu após gritar o nome de seu aprendiz. – Está tudo bem?
- Estou com cara de estar bem? Minhas costas estão doendo pra caramba!
- As minhas também, mas fico feliz de estar vivo. Já chamei por ajuda, eles estão vindo.
- E isso há quanto tempo?
- Há quarenta minutos.
- Legal, a viagem até aqui demora umas cinco horas. – ironizou. – Mas, você consegue pilotar sua nave?
- Não consigo nem levantar, quanto mais pilotar um avião.
- Calma, onde estão Matt e Ayla?
- Ainda estão nos escombros, assim como Lars e o idiota do Ryan Clyyn.
- É, o dia está perfeito. – ironizou novamente.
Enquanto falavam, um avião sobrevoava o céu ensolarado da tarde de março. Blake avistou-o, e fez sinal para a aeronave pousar. Como queria, ela começou a descer, até parar em uma parte fora do amontoado de rochas.
- Até que enfim! – gritou Blake, e olhou para Steven, sorrindo. Porém, a expressão no rosto de seu companheiro era o contrário de feliz, estava com um rosto de preocupação.
- Esse avião não é dos nossos, Blake. Se esconda.
Após dizer isso, Stewart derreteu com veneno as pedras que estavam a sua volta, formando um buraco, e entrou nele. Logo após isso, jogou as pedras em cima de si mesmo novamente.
Blake não entendeu na hora, mas mesmo assim tentou cavar as pedras, também formando um buraco e se jogando dentro, espalhando-as por cima de seu corpo.
O compartimento da aeronave desceu, e um homem - que talvez dois metros e meio de altura - saiu. Era calvo, além de extremamente forte, e sua largura era quase do mesmo tamanho de sua altura. Estava sem camiseta e com uma calça preta larga. Ele caminhou para as pedras, e fez um sinal para seus companheiros descerem também. Mais dezoito homens saíram de seu transporte.
- Vasculhem as pedras. Se acharem o corpo, morto ou não, de Ryan Clyyn, levem para a aeronave. Encontrem a todo custo a pedra do selo, não sairemos daqui até acharmos ela. Se encontrarem algum inimigo vivo, o nocauteiem. Se acharem um inimigo desmaiado ou morto, levem para a nave, pois vamos interrogá-los ou destruir seus corpos. Estou querendo sair daqui rápido, então, VÃO LOGO!
Quando falou isso, os soldados foram para cima do monte de pedras que tinha mais ou menos um metro de altura, e começaram a cavá-las todo o lugar.
Enquanto isso, Steve, embaixo das pedras, escutava tudo. Por sorte, sua espada estava ao lado dele, e caso alguém tentasse atacá-lo, o mataria imediatamente. Mas ele não podia garantir que Blake estava também se prevenindo.
Após algum tempo, um soldado gritou:
- Achei! Tem umas luzes azuis aqui embaixo, deve ser a pedra! – gritou.
- Ótimo! Deixe-me ir até aí que eu retiro as rochas e encontro a pedra do selo. – falou o homem gigantesco que comandava a procura. Ele correu até o soldado que havia gritado.
Blake imediatamente começou a se desesperar, pois se lembrava que a pessoa que estava com a pedra na hora da derrubada era Matt. Não sabia o que faria com, além de seu irmão, seu melhor amigo estando nas mãos de Darkan.
Mas não, ele precisava pensar. Se ele se mexesse, muito provavelmente seria morto já que não conseguia movimentar sequer um músculo, e do mesmo jeito, Matt iria ser capturado. Precisava ter sorte, rezou para que apenas a pedra estivesse ali e mais nenhum corpo.
O homem, chamado Murdoc, cavou até chegar à pedra do selo. Viu dedos ali, no meio das pedras, e gritou:
- Olhem só, achei um corpo! De quem será que é...
Blake sofreu um arrepio na espinha ao ouvir essas palavras. Não, não podia ser ele... Deveria ser otimista.
Murdoc cavou um pouco mais, e viu que o corpo era na verdade o de Lars.
- Olhem só, o garotinho do Jack está aqui! Bem, depois ele poderá rever o pai...
Blake se aliviou. “Se juntar ao pai dele...” Eles matariam Lars? Mesmo que fosse seu rival, não se sentia bem com isso. Mas ele não podia agir, não podia se sacrificar, ainda mais por uma pessoa que ele odiava.
Ouviu o corpo desmaiado dele ser carregado até o avião, junto com a pedra do selo.
Enquanto isso, Steve também estava escutando tudo. Não gostou de abandonar um aliado, mas era necessário. Mas escutou uma coisa e viu que ainda não tinha acabado.
- Darkan mandou ordens diretas para trazermos Ryan de volta. Achem-no. – falou o homem musculoso.
Os soldados começaram a reclamar, inclusive um que estava ao seu lado. Murdoc o pegou pelo colarinho, mesmo que sua mão fosse maior que o rosto inteiro do homem. O jogou no ar, e antes mesmo dele chegar ao chão, desferiu um soco tão forte que o homem voou a cinquenta - talvez sessenta – metros, dali. Os soldados viram o seu corpo no chão, inerte, talvez morto.
- Se não procurarem, o destino de vocês será o mesmo desse idiota. Vão.
Com medo, todos começaram a procurar ligeiramente.
- Mas essa porcaria ainda não parou... – Blake falava baixo. – Achem esse idiota logo e vão embora, por favor...
Após alguns minutos, outro soldado fez um buraco nas pedras e achou uma espada vermelha debaixo das rochas. Abriu ele um pouco mais, e viu o corpo de Ryan Clyyn. Percebeu que não estava desmaiado, e sim dormindo.
- Acorde! – gritou o soldado, e Ryan acordou.
- Ah! Até que enfim! Tire-me daqui logo!
Murdoc viu o encontro, e foi imediatamente para o lugar. Ao chegar no buraco, falou para o seu soldado sair dali. Ele saiu, e o musculoso homem desceu na cova.
- Olá, Ryan. Quanto tempo.
- Ahn... Ah! Oi, Murdoc. Bom te ver.
- Estou sabendo que você levou um coro daqueles moleques idiotas... É verdade?
- Éer... Não. Só foi aquele Stewart que deu sorte.
Murdoc começou a rir e debochar na cara dele.
- Eu sabia que você era um fracassado! Ah, levar uma surra daquele estúpido...
- Me tire daqui logo.
Ele, ainda rindo, pegou a mão de seu suposto amigo, e o levantou tirando ele das pedras. Acabou recuando um pouco para trás para tentar levantá-lo, e sentiu que acabou pisando eu uma espada.
- Oh, pelo jeito temos um bônus aqui... Ryan, espere um pouco.
Murdoc o descarregou em cima das pedras, e começou a desenterrar o corpo que estava com a espada. Viu que era uma mulher. Ayla.
- Olhe só... A loirinha está aí, indefesa... – Murdoc a retirou de baixo das pedras, e a colocou em seu ombro. Logo após isso, pegou Ryan também e o deu apoio para andar. – Vamos. Podem ir para a aeronave!
Blake sofreu mais uma arrepio na espinha. Apesar de não conhecê-la bem, ele gostava muito de Ayla. Sentiu-se triste, mas não tinha como salvá-la.
Os dezessete soldados começaram caminhar até o avião, porém algo os interrompeu. Uma segunda aeronave apareceu entre as nuvens, e atirou projéteis de lazer contra os soldados, sendo que dois foram atingidos e caíram mortos no chão, com seus peitos dilacerados.
- Porcaria! – gritou Murdoc, que já estava na comporta da nave. Deixou Ayla no chão e Ryan em um dos inúmeros bancos, e saiu de novo para ver o ataque que receberam.
- Pagarão por isso, desgraçados!
Ele pegou no chão uma das pedras, que provavelmente era a base de um pilar. Tinha cerca de um metro de largura e comprimento, e foi atirada contra o avião que atacou, mas Murdoc errou o alvo. A aeronave atirou mais uma vez, desta vez sem vítimas. Depois disso, ela já estava quase passando por cima deles, e pousou. A comporta abriu, e de lá saíram vários soldados. Dentre eles, se destacava um general ruivo barbudo e um pouco gordo. Vestia roupas do exército e tinha um cabelo levemente comprido, que se estendia até o ombro.
- Devolva a pedra do selo e a garota, Morroc.
- É Murdoc, idiota! E não, não te darei!
- Porque vocês sempre tem que optar pelo lado difícil? – a voz do general era rouca e alta. – Ataquem!
As duas levas de soldados se atacaram, enquanto uns seis soldados do general se separaram para vasculhar alguém que estivesse embaixo das pedras. Blake e Steve finalmente se levantaram para ver o que estava acontecendo.
- Finalmente, ajuda! – gritou. - Alguém venha aqui, por favor!
Dois soldados viram Blake e Steve, e foram imediatamente socorrê-los.
- Olá, Steve. – falou o homem que foi ajudá-lo. – Bom te ver por aqui...
- Olá. Você é do meu esquadrão, certo?
- Sim. Devo dizer que você fez uma falta tremenda nas suas férias.
- É bom saber. Estou de volta, de qualquer jeito. Trouxe alguma pérola de cura?
- Trouxemos apenas duas... É, é o seu dia de sorte assim como aquele garoto da espada azul...
- Blake.
- É, é isso mesmo!
Steve tomou a pérola, que mesmo com seu gosto horrível, fez ele se sentir bem melhor. Suas costas pareciam estar sendo colocadas de volta no lugar, como se tivesse sido quebrada ao meio e depois costurada novamente. Sua horrenda dor de cabeça passou, e depois de alguns segundos, já estava quase totalmente recuperado. Olhou mais adiante, e viu Blake se recuperar também. Levantou-se.
- Muito obrigado, soldado. Estou em dívida com você.
- Não foi nada, Steve. Agora vamos acabar com essa luta logo.
Ao dizer isso, os dois foram para a batalha, assim como Blake.
Ao chegar na disputa de duelos de espadas, Blake acertou diretamente pelas costas um soldado, que imediatamente morreu e caiu no chão, salvando a vida de seu aliado que estava caído, ajudando-o a levantar. Logo após isso, um inimigo tentou atacá-lo, mas ele se esquivou e chutou sua lateral, e ele cambaleou para o lado.
- Oh... Um garotinho de dez anos vai querer me matar? Tente a sorte!
Blake não falou nada, apesar de ter se irritado com a ofensa. Atacou o soldado, que tinha uma espada que exalava plasma vermelho, e ele facilmente se defendeu, contra-atacando na altura do peito de seu adversário. O Sword apenas curvou suas costas para trás, fazendo com que a lâmina do outro soldado não o atingisse, e, em um golpe certeiro, acertou sua espada na mão que o soldado segurava a espada. O sangue jorrou dali, e ele soltou um alto grito de fúria.
- É, um garotinho de QUATORZE anos te derrotou... Ironia, não?!
- Vai para o inferno! – o soldado tentou lançar uma esfera de plasma em Blake, que desviou e logo após isso enfiou sua lâmina na garganta do soldado, que arregalou os olhos e caiu no chão, com as mãos na sua jugular cortada, onde ficou até morrer. Outro inimigo tentou atacá-lo pelas costas, mas ele se abaixou na hora e enfiou sua espada na coxa de seu agressor, que caiu. Imediatamente fincou sua arma no peito do soldado, matando-o.
- Até que eu senti falta disso.
Steven batalhava ferozmente com outros soldados, e pelo seu alto nível, como mostrava sua armadura de Soldado de Elite, chegava a fazer seus inimigos recuarem de medo. Isso não o impedia de atacá-los, e na maioria das vezes, seu primeiro golpe era certeiro e matador.
O general atacava poucas vezes outros soldados, e ficava apenas na defensiva. Ele dominava a luz, assim como Lee, mas possuía uma lâmina. Assassinava soldados apenas quando estes tentassem atacá-lo, e ele ficava sempre alerta para possíveis ataques surpresa.
Murdoc, o líder dos homens de Darkan, era outro que matava facilmente os seus inimigos, tinha um treinamento muito forte. Sua classe não era das famosas, que possuem um Shikö, que era a de superforça. Isso era provado quando ele conseguia acertar um soco em alguém. Quando isso acontecia, a vítima era jogada metros longe dali, e dependendo do impacto, poderia morrer imediatamente. Blake, ao avistar o musculoso homem, teve uma ideia que poderia salvar seu irmão.
Correu contra ele, ameaçando de atacá-lo com a espada. Murdoc o avistou, e gritou:
- Oh, o descendente de Sharian Sword! Vamos ver se você herdou as habilidades de seus ancestrais, seu monte de lixo ambulante!
Ignorando a ofensa, Blake simulou um ataque em seu estômago, o ponto que ele conseguia alcançar. Murdoc preparou um soco para finalizar de uma vez, mas não previu o truque. O Sword mudou de direção e acertou com sua espada a lateral do inimigo, mas apenas atingiu sua pele, fazendo um fino corte e saindo um pouco de sangue.
- Meus músculos são impermeáveis, idiota! Não tente me matar desse jeito, pois não conseguirá!
Após dizer isso, o musculoso homem desferiu dois golpes com suas mãos, um deles acertando a mão de seu inimigo, e o outro acertando em seu rosto. Blake foi lançado para vários metros longe dali, mas permaneceu intacto, sem muitos ferimentos. A batalha já tinha sido levada para longe do amontoado de pedras e, consequentemente, longe das aeronaves.
Murdoc caminhou em direção a seu adversário, com uma expressão maquiavélica em seu rosto.
- Você não pode me vencer, garotinho. Tenho um corpo impermeável e perfeito, e sem a sua espada, você não vai conseguir nada. É o seu fim.
- Onde fica a base de Darkan? – seu rosto sangrava, assim como seu supercílio, e sentia que tinha até trincado um dente com o golpe que recebera. Sua cabeça doía muito, mas conseguia superar, já sofrera coisas piores.
- Você é muito ridículo, sabia? Acha mesmo que contarei?
- Tudo bem, eu te faço contar.
Blake avançou contra Murdoc, que tentou desferir um golpe certeiro, mas o jovem garoto pulou em cima da mão que acertou o chão. Chutou o olho de seu inimigo, que rugiu de fúria.
O Sword caiu para trás de Murdoc, que praguejava, com suas mãos em seu globo ocular. Com sua mão, Blake atirou uma esfera de plasma azul em seu adversário, que acabou caindo para frente. Rapidamente, o líder musculoso levantou e se virou para aquele que tinha feito seu olho cegar, mesmo que apenas por um momento.
- Vamos lá, não é você o homem com um corpo impermeável, perfeito e invencível? Porque não faz que nem fez com outro soldados, e acerta um soco bem aqui – ele deu palmadas em seu peito, provocando-o – E me mata? Muito difícil?
- Que seu desejo seja realizado! – gritou, avançando contra Blake e rugindo de fúria.
Murdoc tentou atacar um suas mãos, desferindo dois golpes. O Sword facilmente desviou dos dois, e lançou uma esfera de plasma no rosto de seu inimigo, que imediatamente soltou um rouco e abafado grito, colocou suas mãos no rosto queimado, na parte do olho esquerdo, o mesmo que estava vermelho desde o chute recebido. Blake correu para recuperar sua espada, pegou-a na grama e retornou para onde estava o seu inimigo.
Ele jazia no chão, rolando. Estava ainda com suas mãos no rosto, e o garoto da espada azul percebeu que ali estava totalmente queimado. Imediatamente, o Sword subiu em cima de seu derrotado, e apontou sua espada para a jugular do caído.
- Responda tudo o que eu dizer, se não quer ter seus miolos estourados.
- Vá para o inferno! – tentou golpear, ainda no chão, mas Blake lançou uma bola de plasma na mão que iria acertá-lo. Murdoc rugiu de fúria.
- Meu irmão está vivo? Dean Sword, vamos, responda!
Murdoc sorriu.
- Darkan já cortou seus intestinos fora, queimou seu corpo e ainda o comeu na janta – o interrogado cuspiu no rosto do interrogador.
- Está mentindo. Fale agora.
- Sim, está vivo, mas não do jeito que pensa...
- O que você quer dizer... – repentinamente, teve uma visão que chegou a o deixar pálido. Ele olhou para frente, e viu Dean. Em carne e osso. O mesmo sorriu para ele, em uma expressão que chegava a ser diabólica. Logo após isso, ele desapareceu, deixando cinzas negras fluir pelo ar.
- O que foi? – perguntou Murdoc. – Um gato comeu a sua língua?
- Não é nada. Agora, responda, onde raios fica a base de Shun?
- Acha mesmo que vou te responder?
Blake fincou a ponta de sua espada no membro inferior de Murdoc, que gritou extremamente alto. O sangue saía entre suas pernas, e ele chorava de dor.
- Diga!
- Retire essa espada daí antes!
- Tudo bem. – retirou sua espada ali, e o sangue escorria pela lâmina e evaporava com o calor do plasma que era expelido.
- É uma base flutuante, aqui em Tennal mesmo. Fica em cima do oceano que divide Tennal e Urnien. Não fica muito longe do mar de desse continente, e é só isso que eu sei!
- Essa base é invisível, não é?
- Não te falarei!
Blake ameaçou novamente colocar a espada no mesmo lugar de antes, mas Murdoc imediatamente começou a falar.
- Precisa ter uma visão noturna. Darkan nos disponibilizou lentes, e quando alguém a colocar, poderá ver tudo o que está no escuro. A base possui uma magia que ela desaparece no claro. Consequentemente, com a visão noturna, tudo fica escuro, e poderão ver a base marcada em linhas verdes.
- Muito obrigado. – falou Blake. Mas, nessa distração, Murdoc conseguiu socá-lo no estômago, e foi jogado para metros dali. O assassino, ao ver que a batalha era perdida e que apenas dois soldados seus estavam vivos, entrou na sua aeronave, e decolou.
Todos os soldados de Murdoc estavam mortos, e seis dos vinte homens que vieram com o general foram assassinados. Eles ainda procuravam mais corpos embaixo das pedras, viram alguns homens de Ryan soterrados. Acharam Matt, que por sorte estava vivo.
Blake e Steve conversavam com o general.
- Saudações, general Heinrich. – falou, em uma postura formal. Heinrich é o general de seu esquadrão, e o dominador de veneno era o soldado que mais se destacava entre seus homens.
- Steven, poupe essas formalidades, sabe que eu não gosto disso. Seis soldados morreram nessa batalha, e o que mais me deixa triste é que quatro deles eram estagiários e dois eram soldados de elite.
- Seus nomes serão honrados. – falou.
- Senhor Hainrich... – falou Blake, mas foi interrompido pelo general.
- Heinrich.
- É, isso mesmo. Tinham soldados nossos no avião, o que aconteceu?
- Nós pegamos a garota que estava lá, mas só deu tempo de pegá-la. Quando vimos, Murdoc já havia partido, e levou Ryan, Lars e a pedra do selo junto. Ela está ali – o general apontou para o lado, de onde Ayla jazia deitada no chão. – Sinto muito, mas o senhor Niall foi capturado.
- Porcaria. – falou Steve.
- Isso só vai evitar brigas entre nós, foi até melhor ele ter sido levado...
- Não fale isso, Blake! Lars era um garoto bom, apenas incompreendido. Devemos resgatar ele e seu irmão, mas nem sabemos onde a base é localizada...
Blake ia falar o que tinha descoberto, mas decidiu ficar quieto. Pensou no que ia fazer. A missão era dele. Ele deveria resgatar seu irmão.
Após algum tempo, entraram no avião, e partiram para Parlov.
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